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quinta-feira, 26 de julho de 2007

Relato do Protesto na vinda do Presidente

Às 9:30h, seguindo a metodologia confirmada na concentração no terminal DIA, os estudantes dirigiram-se para o Centro de Convenções para realizar uma manifestação em repúdio à atitude tomada na manifestação de quarta-feira, quando o governador autorizou a retirada truculenta dos estudantes do auditório do Hotel Parque dos Coqueiros, e à política do atual governo Lula.

Soubemos que, para entrar no CIC, precisávamos de convites que estavam sendo fornecidos perto das filas de entrada. Conseguimos convites para todos os estudantes e nos dispersamos pelas filas para entrar no centro de convenções.

Porém, quando um pequeno grupo conseguiu sem quaisquer complicações entrar no centro, soubemos que vários de nossos colegas foram parados na fila, sendo impossibilitados de entrar, mesmo portando o convite.

Minutos depois, e bem antes do início do evento, por motivos desconhecidos, as portas foram fechadas, impossibilitando a entrada de qualquer pessoa que estivesse na fila:


Instantes depois, a segurança dirigiu-se aos estudantes que se encontravam dentro do centro. Proferiram as seguintes palavras: "Vocês estão convidados a se retirarem do local". Questionados pelo motivo, já que estávamos apenas conversando, responderam: "Vocês sabem muito bem o motivo".

Quando nossos colegas perceberam que fomos expulsos do interior do centro, realizamos em conjunto um jogral expondo para todos os que se encontravam do lado de fora do cento a atitude antidemocrática imposta a nós ontem e hoje novamente:


Logo após, realizamos nossa manifestação na entrada do centro. Proclamando palavras de ordem e expondo faixas e cartazes, expomos à sociedade a realidade da universidade e o porquê de estarmos paralisados:



Consideramos que o ato de hoje foi positivo: o propósito (expor as contradições da Reitoria e do Governo e que não ficaremos apáticos às mesmas) foi conseguido de forma bastante satisfatória.
Vídeos sobre o jogral, as palavras de ordem e a manifestação serão postados em breve.

Relato do Protesto na vinda do Ministro

Os estudantes que estavam concentrados no terminal da Atalaia se dirigiram ao auditório logo após serem avisados por um segundo grupo que o ministro havia chegado ao local e que a entrada ao auditório era liberada para todos. Entretanto, quando o grupo maior, de forma pacífica e calma, chegou ao hotel, a segurança impediu que os estudantes entrassem no auditório, mesmo aqueles com credenciais. Infelizmente, a entrada de todos os estudantes só foi viabilizada através de algum desgaste verbal com a segurança e do uso de palavras de ordem.

Após a entrada, os estudantes dirigiram-se ao corredor central do auditório e sentaram-se no mesmo na área próxima às primeiras filas. Seguindo a metodologia definida em plenária anterior e confirmada no terminal, quando o ministro foi convidado a falar, os estudantes proclamaram palavras de ordem, pedindo o direito a uma fala. O governador propôs que houvesse uma reunião particular entre o ministro e uma comissão dos alunos. Porém, a intenção e a metodologia da manifestação não era apenas uma conversa com o ministro, mas também com todos os presentes no momento, a fim de expor os problemas atuais da UFS. O ministro parecia disposto a atender os estudantes, mas infelizmente antes disso o governador de Sergipe, Marcelo Déda, autorizou a retirada dos estudantes com o uso da violência.

Como resultado dessa ação, a segurança e a polícia militar retiraram à força os estudantes do auditório. Vários saíram machucados dessa medida totalmente autoritária do governador, sendo que um estudante foi socorrido pela SAMUe levado para o Hospital João Alves com sangramento interno. Déda parece que esqueceu que um dia também fez parte do movimento estudantil e fora tratado com violência pela polícia da época.

Um de nossos colegas fez um vídeo no momento que os estudantes eram agredidos pela segurança e pela polícia:


Diante de tal medida, restaram-se questionamentos: que tipo de "governo de todos" reprime uma manifestação pacífica do movimento estudantil? A concepção de democracia do governador é que eles podem falar e nós não? Tudo que queríamos era uma fala. Ao invés disso, fomos retirados com truculência do auditório.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Resumo da Manifestação contra a PROEST

Hoje pela manhã, estudantes da frente de paralisação realizaram uma manifestação em repúdio à atitude deplorável do pró-reitor de assuntos estudantis, Arivaldo Montalvão Filho, de cortar a bolsa-alimentação dos residentes, alegando que estes "deveriam arcar com o ônus da paralisação".

A metodologia deliberada era passar por toda a UFS, informando aos presentes, por meio de jogral, a atitude do pró-reitor e convocá-los a unir-se à manifestação.

O primeiro local visitado foi o DEA:


Logo após, passamos pelo corredor das didáticas e dirigimo-nos para o NEL:


De lá, dirigimo-nos ao CCBS e CCET:



Após a conclusão da primeira etapa da manifestação, nos dirigimos para a Reitoria, mais especificamente para a PROEST, para dialogarmos diretamente com o pró-reitor para demonstrar nossa insatisfação.

Entretanto, quando chegamos à PROEST, o pró-reitor se encontrava do lado de fora da mesma e impediu que nos dirigíssemos para o interior da mesma. Houve momentos de tensão enquanto dialogávamos com o pró-reitor do lado de fora da PROEST.


Mas felizmente, após algumas falas de estudantes e residentes membros da frente de paralisação, Arivaldo assinou um ofício comprometendo-se a reestabelecer a alimentação aos residentes!! Mais uma vitória dos estudantes da frente de paralisação em prol da assistência estudantil!! À noite, fomos informados por residentes que já haviam bolsas-alimentação para os mesmos, certificando a nossa vitória!!

A paralisação não pára de conquistar vitórias!! TODOS À LUTA!!! Por uma universidade verdadeiramente pública, gratuita e de qualidade!!

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Nova vitória do movimento estudantil: a paralisação continua!

A assembléia geral de estudantes realizada pela frente de paralisação estudantil é mais um novo fato que certamente vai entrar para a história do movimento estudantil da Universidade Federal de Sergipe. Foram 944 estudantes que se reuniram para avaliar a pauta, os avanços da frente e a necessidade ou não de continuidade da paralisação.

E mais uma vez os estudantes mostraram que a luta em defesa da universidade pública não pode parar. Apesar dos avanços na pauta, os motivos que levaram os estudantes a comparecerem numa das maiores assembléias da história da universidade, a necessidade de manter a paralisação foram a falta de RESUN, BICEN, a consciência da importância de levantar mais alto as bandeiras que são tão caras ao estudantes(ampliação da assistência estudantil, compreendida como direito e não como favor, estrutura necessária para um ensino de qualidade, defesa do público contra o privado, referência social, etc) e a ousadia de reafirmar perante a truculência e o autoritarismo da reitoria da universidade que o movimento estudantil na UFS é de fato autônomo.

Tanto a assembléia da manhã (9 horas) quanto a da noite(18 horas) foram uma aula de democracia, de debate político de alto nível, e demonstraram o momento ímpar que vive a UFS, onde nunca como hoje se discutiu tanto os dilemas que vive a universidade de forma geral em nosso país.

O resultado da votação foi de 661 pessoas favoráveis à continuidade da paralisação, 280 contrárias e 3 abstenções. Com uma ampla maioria mais uma vez se reafirma na universidade um movimento inédito, que não cedeu diante das inúmeras pressões vindas de todos aqueles que tem se colocado, mesmo que de forma camuflada, contra a universidade pública ou o que resta dela.

O movimento estudantil da UFS não vai parar por aqui. A partir de agora, é intensificar a mobilização, construir uma nova jornada de lutas e mostrar para reitoria, governo federal e a toda sociedade que a luta em defesa da educação pública não vai parar, que a universidade que queremos vai ser construída da forma mais democrática possível só vai surgir do calor da luta! E é essa universidade, de fato pública e popular, que os estudantes de Sergipe em paralisação estão construindo hoje!

Vamos à luta! Por uma universidade pública voltada para transformação da realidade!

Análise da Paralisação

Há quase um mês, realizou-se a maior assembléia estudantil da história da UFS. Compareceram cerca de 1800 estudantes, sendo que 1100 votaram a favor da paralisação. Respaldados por essa decisão, os estudantes dispostos a lutar por uma universidade de qualidade se organizaram na Frente de Paralisação Estudantil. Essa frente era inicialmente composta de 5 comissões: Mobilização, Atividades, Infra-estrutura, Comunicação e Sistematização.

De forma admirável, essas comissões trabalharam para garantir, além de várias outras coisas:
-que o maior número possível de estudantes se somassem à Frente;
-que nenhum aluno que fosse favorável à paralisação fosse prejudicado por eventuais professores que, além de desrespeitar a deliberação da Assembléia, utilizavam-se de argumentos falsos e de táticas lamentáveis, como dizer que realizariam provas e os alunos que faltassem receberiam a nota zero, para pressionar os seus alunos a não aderirem à Paralisação;
-que seriam realizadas oficinas, debates, grupos de discussões etc, a fim de discutir e aumentar o embasamento dos estudantes nas pautas da paralisação e nos problemas da universidade e da sociedade;
-que, quando se decidiu pelo acampamento na UFS, os estudantes tivessem condições de se manter na universidade, com café da manhã, almoço e jantar, além de local para dormir;
-que seriam realizadas mesas de negociação entre os estudantes e a Reitoria e as Pró-reitorias, a fim de sanar os problemas que existem na universidade.

Entretanto, existem estudantes contrários à Paralisação. Utilizando-se principalmente do Orkut, estes estudantes diziam que a Assembléia não tinha legitimidade, que os membros da Frente eram "um bando de baderneiros", que a Paralisação era na verdade férias, entre outros argumentos falhos. Nesse tempo em que estivemos paralisados, foram realizadas atividades diariamente, provando os erros desses argumentos. E, em vez de se colocarem nas plenárias realizadas diariamente, preferiam se esconder atrás de um computador (salvo alguns poucos que expunham seu ponto de vista nas plenárias, com críticas construtivas que foram aproveitadas para melhorar o movimento). Todos os seus argumentos foram rebatidos de forma exemplar pelos membros da Frente, além de alguns alunos que não participavam do movimento mas eram simpáticos ao mesmo.

Mas um dos argumentos que persistiam após tanto tempo é que não conseguiríamos nada com a Paralisação. Para demonstrar de uma vez por todas que esse é mais um dos seus argumento sem sentido, abaixo estão a maior parte das conquistas (pois ainda estamos negociando com as pessoas e órgãos competentes) que conseguimos após várias mesas de negociação com o REItor, a PROEST e a PROEST, entre outras pessoas e órgãos:
- Criação de um Conselho de Assistência Estudantil paritário, normativo, deliberativo e permanente que conduzirá a política de Assistência Estudantil;
- Maior Publicização e aumento do Valor das Bolsas de Trabalho;
- Instalação imediata de 30 novos computadores para a Bicen;
- Horário de Funcionamento da Bicen estendido até às 22:00;
- Campanha de conscientização pela conservação da Estrutura e Acervo da Bicen e pela devolução dos livros emprestados da Bicen dentro do prazo estabelecido, para que possamos diminuir a valor da multa;
- Digitalização das Obras Raras a fim de disponibilizá -las para Xerox;
- Comprometimento do Reitor em não privatizar o Hospital Universitário;
- Criação de um Conselho de Extensão paritário, normativo, deliberativo e permanente que conduzirá a política de Extensão Universitária;
- Criação de uma Semana de Extensão na UFS, em conjunto com os Movimentos Sociais de Sergipe;
- Inclusão dos estudantes da lista de espera em Residências Universitárias até o fim deste período;
- Que a reitoria também pressione a SMTT a criar uma linha de ônibus Zona Norte/Campus e ampliação das já existentes para o Campus São Cristóvão e HU;
- Encaminhamento da Compra de um ônibus de grande porte para congressos estudantis e científicos;
- Viabilização rápida de um posto de saúde no Campus;
- Encaminhar adaptações na estrutura física da UFS para os portadores de necessidades especiais e reforma, impressora de impressão em braile e Biblioteca Falada, além de adaptações pedagógicas;
- Permissão para qualquer estudante da UFS cursar quaisquer disciplinas em qualquer Campus;
- Reformas no CULTART, Museu do Homem, Concha Acústica, quadras de esporte e complexo esportivo;
- Melhoria imediata na qualidade da água;
- Encaminhamento de discussão da construção de Moradia Estudantil e creche no Campus São Cristóvão.

Durante quase um mês que estamos paralisados, a Frente de Paralisação Estudantil recebemos algumas moções de apoio do Movimento Estudantil e Sindical. Mostrando que não estamos sozinho na luta em defesa da Universidade Pública, Gratuíta e de qualidade no Brasil. A luta é nacional! Essas moções podem ser visualizadas em postagens anteriores.

Hoje, quarta-feira, às 9h e às 18h, será realizada uma nova Assembléia Estudantil para avaliar as negociações com a Reitoria e a continuidade ou não da Paralisação. Lembramos que os motivos deflagadores da Paralisação (o fechamento do Resun e da Bicen) permanecem. Reforçamos o pedido para que TODOS os estudantes compareçam à Assembléia, discutam os pontos da pauta, analisem os argumentos apresentados por quem está contra e a favor da Paralisação e votem pela decisão que acharem mais correta.

A LUTA NÃO PÁRA! Por uma universidade de qualidade! Participem!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Estudantes da UFS ateiam fogo em pneus em represália à decisão do Reitor

Debaixo de chuva e munidos de pneus em chamas estudantes da Frente de Paralisação demonstraram à sociedade aracajuana que quem decide pelo término da greve são os próprios estudantes e não a reitoria.

Cronologia

Dia 3 de julho. Acontece uma coletiva de imprensa com a Frente de Paralisação Estudantil no Campus de São Cristóvão – Sergipe. Estudantes são ouvidos e o reitor também, para não fugir da sacra “imparcialidade midiática”. Como prática já conhecida, o reitor é ouvido por último (já que na TV a última informação, invariavelmente, é o que fica no subconsciente do espectador) e afirma que as aulas voltariam à sua normalidade no dia seguinte. O DAA (órgão da reitoria) comunica a tod@s @s estudantes. À noite, a Frente de Paralisação se reúne. Visivelmente emputecidos, #s grevistas resolvem inviabilizar a decisão da reitoria.

Dia 4 de julho. Às quatro horas da manhã um leve barulho ecoa pelas didáticas I e III. São estudantes retirando as carteiras e construindo barricadas. Como são quatro didáticas, o trabalho se estende até umas seis e meia. Ainda na madrugada, vários pneus foram conseguidos junto com estopa e gasolina. Tudo pronto, hora do pau! @s estudantes se colocam na entrada principal da Universidade e ateiam fogo nos pneus assim que o primeiro professor aparece. Pros que tinham carro ficou impossível adentrar na UFS. A fumaça era absurda, uma nuvem preta sinalizava um incêndio de proporções incalculáveis, porém tudo estava sob o controle d#s grevistas. Na entrada secundária (que fica ao lado do terminal rodoviário do Campus) houve confronto com os seguranças da Universidade que partiram pra cima d#s estudantes a fim de garantir a entrada de pró-reitores. Tudo isso debaixo de chuva forte.

Por causa dessa balbúrdia, poucos professores conseguiram entrar na UFS pela manhã. “Sem professor não tem aula” – explicou um dos grevistas.


Normalidade institucional

Passavam das oito e quarenta e nada de aula na Universidade. O reitor se pronuncia na TV convocando #s alun#s a se colocarem contra a Frente de Paralisação e contra a greve. Alguns professores ainda tentam dar aula e aplicar provas utilizando-se inclusive de pressão psicológica sobre os alunos, principalmente @scalour@s.

Durante toda a manhã #s grevistas se dividiram e conversaram com os estudantes que estavam na Universidade. Essa tática do diálogo foi escolhida pelos estudantes que compõem a Frente desde o início. Isso talvez explica porque o reitor ainda continua trabalhando tranqüilo na reitoria. Mas ele ta pedindo uma visita de cunhado: que chega e não se sabe quando vai embora.


O que se passa na Universidade Federal de Sergipe?

No dia 13 de junho, com a presença de mais de 1800 estudantes (a maior assembléia estudantil da história da UFS), foi deflagrada a greve estudantil por não existirem condições de estudar sem laboratórios, refeitório e biblioteca – fechados em virtude da greve dos técnicos administrativos.

Foi criado um comando de greve estudantil e teve início um exaustivo calendário de atividades onde os pontos de pauta da greve foram aprofundados em discussões que varavam a madrugada.

Como resultado do acúmulo desenvolvido nas plenárias surgiu um documento que foi entregue ao reitor contendo todas as demandas estudantis e propostas de saneamento dos problemas em questão. A resposta do reitor veio a galope, porém evasiva. Num claro “Ctrl+c – Ctrl+v” do que tem no saite da UFS, o magnífico apenas discursou sobre o que a sua administração vem fazendo desde que assumiu o cargo.

Insatisfeitos com a situação, #s estudantes convocaram uma reunião com o reitor no auditório da reitoria para que se pudesse discutir de fato e frente a frente as pautas. Uma espécie de acareação. O auditório ficou lotado nos dois dias de negociação. Novamente as respostas do reitor eram fugazes e não apontavam para lugar algum. Quando se pronunciava de fato, exigia um projeto para que ele pudesse fazer alguma coisa.

Um avanço, mas bem que podia ter sido melhor. O diálogo (ou pelo menos a tentativa) com a reitoria não têm respondido às expectativas d#s estudantes. As contra-propostas da reitoria ou não existem ou pedem projetos criados pel#s estudantes. Já o reitor, acreditando que cumpriu com seu papel de ouvir # estudantes, resolveu divulgar na mídia que a greve havia acabado e clamava a presença dos acadêmicos na Universidade. Encontrou chuva e fogo...

Marcus Mota

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Greve 2007 – Já somos vitoriosos!

Greve 2007 – Já somos vitoriosos!

A Universidade cumpre um a função dentro da sociedade. Mas essa função, se voltar para a resolução dos conflitos sociais, está desvirtuada há algum tempo pelo tão destemido “mercado”. O que perdemos com isso: Autonomia (financeira e ideológica), não cumprimento do propósito acadêmico, comprometimento da pesquisa e da extensão, sucateamento do serviço público, enfim, transformação de direito em mercadoria. A educação não pode se submeter a isso. Está associada a um modelo de desenvolvimento para o nosso país, com a soberania e o futuro do povo brasileiro. Não pode estar com as empresas e a serviço do mercado. Tem que estar a serviço dos trabalhadores e do Brasil.

O governo da mudança aprofunda medidas que não mudam. Contraditório? Exatamente. O que dizer do governo não quer retomar a verba específica para assistência estudantil? E o projeto de expansão quantitativo e não qualitativo? A reforma universitária que limita em 9% o gasto com a assistência estudantil, enquanto a UFS gasta 14% e não dá conta? E o PAC que não deixa que professores e técnicos sejam contratados durante 10 anos? O que dizer de tudo isso? No mínimo um basta. E uma efetiva e grande luta para que tais medidas não se aprovem.

Mas a reitoria cumpriu isso? Não mesmo. É muito fácil ser capacho quando o poder nos convém. O discurso que agrada a classe média e os tubarões do ensino é constante na administração da UFS. De forma anti-democrática e autoritária “bateu o martelo” e empurrou de “guela abaixo” todos os projetos que hoje temos na nossa universidade. Ou será que foi discutido com a comunidade acadêmica que o curso de música estaria no departamento de morfologia e que o DAA poderia cobrar R$3,00 por um histórico? Com certeza não foi e sabemos o porque. Não seria aceito por ninguém propostas privatistas como essas. E embora não pareça existem duas formas de se privatizar: De forma direta - taxas do DAA - e de forma indireta com o sucateamento do público para que o privado se fortaleça – Campus de Laranjeiras.

O que fazer então com uma realidade tão adversa? O movimento estudantil e os técnicos deram a resposta: GREVE!!! Mas não é preciso o diálogo antes? É sim. Mas esse aconteceu antes por parte de quem não queria greve: Governos e reitoria? Porque agora o discurso se volta contra nós e somos nós que não queremos diálogo. Interessante ver a mudança de postura para deslegitimar os movimentos e fugir do debate central. E outra: O diálogo foi proposto, mas não se deu ouvidos. É fácil escutar de uma lado e deixar fugir de outro quando não se sente na pele o cotidiano de autoritarismo e deficiências da universidade pública. O cafezinho do Rei Tor sempre está na garrafa, mas o professor nem sempre está na sala de aula, muitas vezes porque não tem: ou o professor ou a sala. Essa, infelizmente, é a nossa UFS.

Os dezoito dias de paralisação que estão completados hoje nos deixam alguns sinais: Poucas vitórias como o conselho permanente e paritário para discutir assistência estudantil, muito trabalho e desgaste, o forró desse ano foi nos espaços de debate e negociação, muitos inimigos, as empresas, os governos, a reitoria, a mídia sergipana que funciona como uma marionete dos poderosos, mas também grandes aliados como o MST, a CONLUTAS e o SINTESE e no final uma grande lição: A de que o movimento estudantil organizado é capaz de alcançar as vitórias necessárias, o sentimento de que a transformação e o novo é viável e a de que não podemos perder a ternura e a esperança, numa batalha onde a mercadoria está acima de tudo, a educação no seu nível superior não deixará de ser direito no que depender de nós!

Num momento onde a apatia reina e o imobilismo é geral, o movimento estudantil se mostra forte e coeso para enfrentar qualquer obstáculo no sentido de não perdermos o que conquistamos e ampliar cada vez mais essas conquistas, pois sabemos que muito ainda falta. Não basta somente manter, mas temos que acima de tudo avançar. Já somos vitoriosos!

Vamos à luta! Só ela muda a vida!
A paralisação continua firme! Vamos contribuir com a UFS pública, gratuita e de qualidade!

Alexis Azevedo – Direito UFS